sexta-feira, 4 de novembro de 2011 0 comentários

Miniconto

terça-feira, 18 de outubro de 2011 0 comentários

BIENAL DO LIVRO DE SALVADOR

terça-feira, 23 de agosto de 2011 0 comentários

Sarau "Artes em Geral, Poesia em Particular"


sexta-feira, 19 de agosto de 2011 0 comentários

Deu "Balaio de Gato" no "Cidade da Cultura"

A equipe do Balaio de Gato (programa da TVE), esteve nesta quinta-feira (18), no bar e restaurante Cidade da Cultura para gravar seu próximo programa dedicado aos artistas de Feira de Santana.

Depois do convite, feito por Asa Filho - proprietário do restaurante -, a equipe da TVE percebeu a riqueza cultural existente no local, e se interessou em gravar um especial sobre as atividades culturais do local.

Amanda Menezes e Nívia M. Vasconcellos
Entre essa riquezas, estavam artistas que frenquentam o local e participaram da gravação. Músicos como o próprio Asa Filho, Neném do Acordeon, a poeta Nívia Maria Vasconcellos e o artista plático Gabriel Ferreira representaram a classe artística da cidade.

A equipe composta pela jornalista Amanda Menezes, pelo produtor Gastão Neto e o cinegrafista Xavier Goveia levou dentro do ‘balaio” muita música, poesia e muita imagens inusitadas da nossa Cidade da Cultura.

Xavier Goveia, Amanda Menezes, Asa Filho, Gastão Neto, Nívia Maria Vasconcellos, Neném do Acordeon e Gabriel Ferreira




Texto e Fotos: Cid Fiuza

terça-feira, 16 de agosto de 2011 1 comentários

Festival Literário e Cultural de Feira de Santana

quinta-feira, 4 de agosto de 2011 0 comentários

Entrevista: Gibran Sousa

O ato de declamar na contemporaneidade                    não está na contemporaneidade.

Os recitais são ultrapassados, conservadores [...]. Mas, eu cheguei.
Hoje, às 20h no CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte de Feira de Santana-BA), o poeta e declamador, Gibran Sousa apresentará o recital Irritmia. Abaixo, um rápido bate-papo  sobre a sua apresentação e a sua posição acerca da declamação na contemporaneidade.

Como surgiu a ideia de produzir o Irritmia? O projeto será realizado apenas no dia 4 ou haverá uma continuidade?

Eu já havia manipulado assonâncias, ecolalias, texturas no “Diversital” – meu primeiro show. Esse acontecia concomitantemente a outro projeto meu, o “Outros Caretas”, uma banda irregular, sem caráter, lúcida enquanto lúdica, com músicas espalhafatosas, sofismáticas, pró-polêmicas, que repercutiram de modo visceral, a ponto de me  agredirem fisicamente. Isso por causa de uma música minha chamada “A Bahia”, que decidi não cantar nunca mais. Posteriormente, no “Transmídia”, desenvolvi performances nas quais projetei a palavra com outras possibilidades artísticas, desde o sapateado, passando pelo teatro até as artes plásticas. O “Irritmia”, meu recital atual, que sucede o “Transmídia”, insurge da necessidade de me rebelar contra o desgastado cenário da Literatura Baiana, ao debulhar novas estéticas para os nossos poetas sem coragem e sem talento e, sobretudo, da minha consciente arrogância em tentar atrair novamente jovens para o precipício das palavras.

Sim, haverá continuidade. Eu e minha banda realizamos recitais e shows com freqüência. Já temos pelo menos mais seis apresentações agendadas para os meses de agosto e setembro. Apresentaremos o “Irritmia”: no dia 13/08 em Riachão do Jacuípe, no dia 19/08 na Feira do Livro em Feira de Santana com Juraci Dórea, Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr, no dia 10/09 no projeto Fala Escritor" na Saraiva do shopping Iguatemi em Salvador, dentre outras.

Dos Aedos e Rapsodos para cá, passando por grandes vates declamadores como Castro Alves, como você analisa o ato de declamar na contemporaneidade?

O ato de declamar na contemporaneidade não está na contemporaneidade. Ainda hoje os poemas são ditos como se diziam orações, ladainhas, reclames. Os poetas de hoje acreditam que para serem poetas devem ser os poetas de ontem, de modo que pra ser poeta tem que ser o poeta do sempre, mas o poeta do sempre não é sempre poeta. Os recitais são ultrapassados, conservadores, canastrões, sonolentos, ridículos. Cheios de “tus” e “vós”, com gritos, mesóclises, brados inflamados, braços hasteados, interpretações mambembes. Ignoram a existência de microfones, acústica, ritmos e projetores, das perspectivas de agora. Preferem se deter à naftalina, e por isso a poesia é  tão e somente e justificadamente associada à coisa velha. Mas, eu cheguei.

O que você diria como incentivo para que as pessoas compareçam ao recital Irritmia?

Nada de importante, vou apenas revelar a identidade da(o) namorada(o) de Luan Santana, o novo clip da Lady Gaga, o vencedor do brasileirão de 2011, o final da novela das oito...

Entrevista: Nívia Maria Vasconcellos
Foto: Wannessa Reis

domingo, 31 de julho de 2011 0 comentários

Entrevista: Antonio Barreto

Nós não seguimos o caminho da poesia. 
A poesia é que insiste em nos seguir, ou possuir...




No caso do cordel sobre o BBB, não esperava que houvesse tanta polêmica
Professor, cordelista e poeta, Antonio Barreto possui uma formação popular proveniente do convívio com repentistas, violeiros e cordelistas do interior da Bahia de onde é originário mesclada com uma formação acadêmica adquirida ao longo da graduação em Letras Vernáculas e das especializações que fez. Compôs  um cordel sobre o BBB que foi demasiadamente reproduzido nos meios virtuais e propagou as suas composições para fora das fronteiras da Bahia e, até mesmo, do Brasil.



Você é natural de Santa Bárbara-BA. Hoje reside em Salvador. Muitos artistas fazem esse mesmo trajeto para localidades ainda mais distantes como Rio de Janeiro e São Paulo. Qual a importância de migrar para a capital? O que diria ao artista que vive esse dilema?

Não havia, na década de setenta, ensino de segundo grau em Santa Bárbara, fato que me levou, aos 19 anos, a colocar o matulão no ombro pousar em Salvador. Essa aventura era, para um jovem interiorano, um misto de encantamento e desafio. Encantamento por mergulhar no mundo da novidade, desafio por deixar o meu habitat singelo e bucólico em troca de uma vida conflituosa na cidade grande. No início, fiquei atormentado, o meu vínculo com o sertão era tamanho que eu chorava todos os dias, me sentia abandonado, aborrecido. Mas, aos poucos, fui me adaptando e quando a poesia começou a pulsar em mim, descobri que Salvador era o espaço ideal para que eu pudesse ser aceito e notado enquanto cordelista. Então a importância de migrar para uma grande metrópole não deixa de ser um marco positivo para quem busca espaço no campo das artes, sobretudo no caminho da literatura. Se eu permanecesse em Santa Bárbara, dificilmente chegaria aonde cheguei. Infelizmente essa migração para uma grande metrópole acaba sendo um mal (bem) necessário.

Dos violeiros e repentistas de sua infância aos clássicos da literatura com os quais lida no ambiente acadêmico, quais as principais influências que suas composições carregam?

Veja, tudo começa quando eu ainda era menino, vivendo na Fazenda Boa Vista, município de Santa Bárbara, local onde abri os olhos para essa odisséia humana. Me recordo que às terças-feiras, dia da feira livre, minha avó Guilhermina me punha na garupa do cavalo e me levava à cidade. E quando vi pela primeira vez um repentista chamado Azulão se apresentado na praça, fiquei encantado! Vi também um repentista chamado Dadinho (já falecido), pai dos repentistas feirenses Caboquinho e João Ramos. Em seguida apareceram alguns folheteiros de cordel que expunham e cantavam os seus versos populares na praça.  Li “O Pavão Misterioso” e “Cachorro do Mortos” - ambos de Leandro Gomes de Barros (Pombal/PB – 1865/1918). Em 72 apareceu um embolador chamado Azulão da Paraíba, que chegou a morar lá em Santa Bárbara e era um grande improvisador. Bem, a partir dali um anjo de luz sentenciou: cordelista ou cordelista – para sempre!

Chegando a Salvador em 75, passei a ter contato com a poesia popular de Patativa do Assaré; conheci o grande cordelista Rodolfo Coelho Cavalcanti, que cantava os seus cordéis em frente ao Mercado Modelo. Um pouco depois me aproximei de vários repentistas dos quais me tornei amigo: mestre Bule-Bule, Antonio Queiróz, Leandro Tranquilino, Paraíba da Viola, Caboquinho, João Ramos, além dos grandes cordelistas Frankin Maxado, Antonio Vieira, Jotacê Freitas e tantos outros. Na década de 80, entrei para o Curso de Letras na Ucsal. Ali, tive o prazer de ser aluno da professora Edilene Matos, que é uma grande pesquisadora da Literatura de Cordel. Ela nos incentivou muito ao estudo da cultura popular. E olha que naquela época não constava na grade curricular da UCSAL (como não consta até hoje) o estudo da Literatura de cordel, e Edilene já nos estimulava à pesquisa.

Além dessa incursão nas trilhas do cordel, me aproximei da literatura canônica em função da minha licenciatura em Letras Vernáculas  e acabei lendo Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Drummond, Leminski, Mário Quintana, Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto e tantos outros. De modo que cheguei a escrever dois livros de poesia: “Uns Versos Outros” e “Flores de Umburana”, mas o meu caminho verdadeiro era mesmo a poesia popular – a qual eu abracei definitivamente. Então esses acontecimentos foram fundamentais para minha caminhada cordelística.


Como era o Antonio Barreto antes de “O discurso de um caipira”, como é o Antonio Barreto de depois? Fazer cordel o resignificou enquanto ser humano?

Antes da publicação do referido cordel, eu era completamente desconhecido, um cordelista ainda anônimo! Tinha comigo muitos escritos de cordel guardados no baú, mas a timidez e a falta de estímulo não me deixavam levar a produção cordelísticas a sério. Daí, passei a dialogar com pessoas ligadas ao cordel, os incentivos foram surgindo, boas parcerias, resolvi então publicar, em 2004, “O discurso de um caipira arretado”, que foi o meu primeiro folheto de cordel. Para minha surpresa, a resposta foi deveras positiva, de modo que não parei mais e já tenho 125 títulos publicados – além de vários ainda inéditos. 

Poeta ou cordelista? Poeta e cordelista? Poeta cordelista? Vê diferenças entre ser um e outro? Como você se auto-definiria?

É uma situação delicada, porque já ouvi muitas pessoas entendidas dizerem que há diferença entre poeta e cordelista.  Outros insistem em dizer que não há diferença. Talvez exista uma certa dicotomia. Então perceba: ambos são vates que possuem o dom de versejar. O chamado poeta, que remonta da Grécia Antiga, cuja missão é ‘alquimizar’ a palavra com fins estéticos, utiliza-se, em geral, do gênero lírico e pertence ao cânone, ao passo que o cordelista pertence ao universo da cultura popular, obedece a regras de rima, ritmo e oração. Ademais a nossa poesia é basicamente narrativa, mas o aspecto lírico não deixa de está presente na obra dos cordelistas.  Drummond era poeta, não era cordelista; João Cabral era poeta, não era cordelista; Ana Cristina Cesar era poeta, não era cordelista. Já Patativa do Assaré era poeta e cordelista, Rodolfo Coelho Cavalcante era poeta e cordelista, Bráulio Tavares é poeta e cordelista.  Enfim, não deixa de ser um assunto polêmico, mas o que vale é o bom senso. Eu, por exemplo, me autointitulo poeta e cordelista!

Depois da polêmica gerada com o cordel “Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso”, você compôs outro de ainda maior repercussão: “Big Brother Brasil, um programa imbecil”. Você esperava tamanha reverberação?

No caso do cordel sobre o BBB, não esperava que houvesse tanta polêmica, até porque eu não tinha a intenção de divulgar na Internet, apenas enviei a cópia a um casal amigo de Belo Horizonte (Paulo e Nívea) e eles puseram na Net, daí a surpresa, ou seja, começou a circular no Brasil inteiro e além-mar. Até hoje recebo elogios de professores, doutores, políticos, estudantes, donas de casa, motoristas, pessoas simples. Do exterior, tem chegado muita moção de reconhecimento, inclusive da Espanha, França, Dinamarca, Argentina, Grécia, Portugal... Esse cordel do BBB tem sido utilizado em sala de aula por muitos professores, sem falar nos estudantes que o utilizam em suas teses de pós-graduação e mestrado. Isso para mim foi uma prova de que não devo fugir dessa temática tão importante que é a crítica social. Enfrentar a Globo e ‘disdizer’ o que Pedro Bial anda dizendo: não é brincadeira!

Já no cordel sobre o Caetano Veloso, a história muda. Eu sabia da repercussão, só não imaginava que iria enfrentar tantos problemas com o fã clube dele! Deixei de levar os folhetos para os eventos dos quais participo, sofri até ameaça, inclusive retirei o referido cordel do meu blog. Confesso que fiquei meio arrependido depois de tal intento! Se bem que ele mereceu, em função do ser arrogante e elitista que ele é enquanto formador de opinião. Não consigo enxergá-lo como um baiano, um nordestino – ele tem algo de europeu, de burguês.  Aquele menino bacana e inocente, lá de Santo Amaro da Purificação, filho de Dona Canô, parece ter abraçado o trono da vaidade, definitivamente! Essa mania de Caetano se achar a quintessência do conhecimento o torna merecedor de críticas como essa do meu cordel. Mas ele não deixa de ser um dos mais brilhantes artistas da MPB. Eu o reconheço como um artista genial, embora no campo da espiritualidade ele esteja muito aquém.

Seus cordéis sempre estão bem antenados com os acontecimentos do mundo. Eles são sertanejos e universais. O que é notícia em suas mãos vira cordel. Qual a relação entre o cordel e o jornalismo?

A produção do cordelista se aproxima muito da produção jornalística, ambos estão permanentemente levando ao conhecimento do povo os fatos mais inusitados possíveis – desde o que acontece no nosso quintal ao mais distante rincón  do Planeta Azul!

Quando começaram a chegar as primeiras tipografias no Nordeste brasileiro, um paraibano da cidade de  Pombal/PB chamado Leandro Gomes de Barros foi a Recife e imprimiu o primeiro folheto de cordel, isso por volta de 1893.  A partir daquele marco o cordel passou a ter a função de jornal, pois era a forma mais viável de a notícia chegar aos lugares mais distantes. Do cangaço à morte de Getúlio Vargas, da primeira guerra mundial à chegada do homem a lua, o cordel se encarregava de noticiar os fatos. Então o cordelista estava ali fazendo exatamente o mesmo papel do jornalista. Claro que os tempos mudaram, ainda assim estamos conectados com o mundo inteiro (através da Net) enviando noticias em forma de cordel – inclusive àquelas “notícias” que alguns jornalistas insistem em não divulgá-las!

Você é acompanhado por seu violão em apresentações que realiza por aí. Qual é a sua postura diante da polêmica que envolve a relação entre a letra de música e a poesia?

Pensei que essa polêmica havia desaparecido, mas não deixa de estar em voga! Toco violão para tornar o meu cordel mais alegre e receptivo. É uma estratégia para tornar o cordel mais lúdico – e musical!

Não sou maluco para dizer que música e poesia são irmãs gêmeas, mas quero crer que elas são primas e amigas – elas se roçam, se beijam, se cumprimentam!

Quando se chega à conclusão de que não é difícil musicar um poema, tem-se a impressão de que poesia é música. Musicar Flor Bela Espanca, Fernando Pessoa, Maiakovski não deixa de ser um casamento da música com a poesia, mas isso ainda não é o suficiente para determinarmos que ambas são iguais. Às vezes elas se juntam dando a impressão de que são iguais, mais adiante se dissociam. O mais sensato seria a gente dizer: a letra daquela música é muito poética! Talvez a compreensão dessa polêmica tenha sustentação na melopeia de Erza Pound!

Acredito no texto poético do letrista, mas a poesia em si não precisa de música – ela se realiza no mais profundo silêncio, porque fazer letra de música ainda não é o exercício verdadeiro da poesia! A poesia é, sim, um arranjo demasiadamente harmônico de palavras – mas ainda não é música. E por que não denominarmos de poesia cantada?! O bom mesmo é ser cordelista e ter o privilégio de cantar os meus versos, cantar a minha poesia!

Deixe uma mensagem para quem deseja seguir o caminho do cordel e da poesia.

Nós não seguimos o caminho da poesia. A poesia é que insiste em nos seguir, ou possuir... E quando isso acontece: ouvir o silêncio (ou a música) do coração é a atitude mais sensata do predestinado!


Então a mensagem que deixo para os meus pares é: não se preocupem com o tempo, com a fama, com brigas inúteis, ciumeiras, porque tudo passa, mas a poesia fica. Costumo escutar carinhosamente o poeta Ruy Espinheira Filho: a literatura é silenciosa...



Para conhecer Antonio Barreto pessoalmente, compareça a seu próximo lançamento em SSA:




 Entrevista: Nívia Maria Vasconcellos
Fotos: Wannessa Reis

Abaixo, o vídeo do cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil”



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